A polarização da política brasileira invadiu o futebol, e há poucos dias da convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de Futebol, a expectativa em torno da inclusão ou não do atacante Neymar entre os que disputarão a competição mobiliza opiniões e posicionamentos que mudam quando o torcedor é de direita ou de esquerda.
Para medir a pulsação do tema Neymar entre torcedores de diferentes posturas políticas e ideológicas, o Centro de Estudos Aplicados de Marketing da ESPM-SP entrevistou centenas de torcedores de todo o Brasil, e pediu que cada um dos entrevistados indicasse até três jogadores que considerava indispensáveis para uma convocação e até três que não convocaria de forma alguma.
Nesse recorte inicial da pesquisa, o atacante Neymar liderou os dois rankings com folga. Um total de 56% da amostra afirmam que querem Neymar de volta à Seleção, e 30% disseram que não o convocariam de jeito nenhum.
Nenhum outro jogador chegou perto dos dois lados ao mesmo tempo. Vinícius Jr., o segundo mais querido com 38,5%, tem apenas 8,5% de rejeição. Paquetá e Danilo aparecem com mais opiniões de rejeição do que de aprovação.
Se a divisão em torno de Neymar parecia apenas esportiva, os dados indicam que ela vai além das quatro linhas. Como afirma o relatório da pesquisa, a percepção do torcedor sobre o camisa 10 acompanha, de forma consistente, o espectro político brasileiro.
Os dados do levantamento mostram que entre os que se identificam com o campo ideológico da direita, 66% defendem a presença de Neymar na Seleção, enquanto 24% são contrários, um saldo amplamente favorável. Entre os torcedores de esquerda, o cenário se inverte: a rejeição chega a 40%, superando a aprovação, de 37%.
“Os índices de aprovação e rejeição de Neymar se aproximam da dinâmica observada em pesquisas eleitorais. Segundo o levantamento, a relação entre posicionamento político e opinião sobre o jogador é estatisticamente significativa, mais do que coincidência, trata-se de padrão”, afirma a ESPM-SP.
No campo da centro-esquerda, o cenário é de equilíbrio absoluto: 45,5% defendem a presença do jogador, enquanto outros 45,5% são contrários. É o único grupo em que a divisão é total, um retrato que lembra disputas eleitorais em segundo turno.
Para os pesquisadores do CEAM, a explicação sobre a divisão em torno do atacantes do Santos passa por fatores que vão além do futebol.
“Neymar declarou apoio político em 2022 e se envolveu em episódios que alimentaram narrativas em diferentes espectros ideológicos. Nesse contexto, o futebol, tradicionalmente visto como espaço de trégua, passa a refletir também as tensões do debate público”, afirma o relatório da pesquisa.
Fonte:Bahia Noticias Foto:Divulgação

