Sem clube há quase dois meses quando deixou o comando do Cruzeiro, Tite concedeu entrevista ao GE e, dentre diversos assuntos, abordou a conturbada passagem que teve pelo Flamengo, entre outubro de 2023 e setembro de 2024.
O treinador fez um balanço do trabalho à frente do Rubro-Negro, mas relatou uma chateação que passou logo após ter sido demitido e foi orientado pela direção do clube na época a sequer ir ao CT para se despedir dos demais funcionários do Flamengo.
“Fiquei muito chateado porque não pude dar tchau para os funcionários nem ter essa relação humana com os atletas. Fui me despedir deles um ano e meio depois, quando nos enfrentamos. Fui solicitado a não ir. Então, é uma falta de respeito humano. Num clube extraordinário, de grandeza extraordinária”, contou Tite.
Naquele ano, Tite estava à disposição no mercado desde que havia deixado o comando da Seleção Brasileira após a eliminação para a Croácia, nas quartas de final da Copa do Mundo de 2022, e havia dito que não trabalharia no Brasil. Em 2023, o treinador recusou uma proposta do Corinthians, uma vez que negociava com o West Ham, e apostava em uma carreira internacional.
Até que, em setembro daquele ano, chegou a oferta do Flamengo, e Tite aceitou negociar. “A possibilidade de que a ida para o Flamengo ia chancelar um final de campeonato em que as competições já tinham terminado para o Flamengo, com exceção do Campeonato Brasileiro”.
“Era a terceira vez que o Flamengo vinha atrás. Eu disse: “quero conversar”. E aí a possibilidade de eu ter um diagnóstico da equipe para depois trabalhar, naquele final, eu disse: “os objetivos já não tem, a não ser classificação direta para Libertadores”’, disse.
“A equipe cresceu, e o jogo emblemático foi o que nós perdemos para o Atlético-MG em casa. O objetivo do clube era: primeiro, tu tens a condição, conhece a equipe, trabalha para o ano que vem. O objetivo era a classificação direta para a Libertadores”.
“O ano seguinte é retomar o título carioca, e nós retomamos o título carioca, porque tinha perdido antes, e contra um Fluminense campeão da Libertadores, né? Vamos contextualizar. Ele tinha sido campeão no ano anterior da Libertadores, e de uma forma invicta, muito emblemática também, muito forte”.
Porém, o que parecia ser um arranque de um novo ano vitorioso para Tite parou por aí. Ao GE, o técnico explicou como os desfalques foram preponderantes para a eliminação na CONMEBOL Libertadores e ressaltou a pressão existente no Flamengo por títulos de grande expressão.
“A minha sensação em relação ao Flamengo é que ele transpira Libertadores e Mundial. Tudo que não for Libertadores e Mundial é pouco. Nós perdemos Pedro, Cebolinha e Luiz Araújo, o trio de ataque, que eram quase 60 gols”.
“A gente acabou perdendo o primeiro jogo, empatando o segundo com o Peñarol, e aí veio na demissão. Era essa expectativa, vamos ter dois títulos, mas verdadeiramente o título (desejado), para mim, a sensação que passou era a Libertadores e o Mundial”.
Tite apontou ainda que o título do Estadual trouxe paz interna ao Flamengo, mas os maus resultados seguintes, somada à insatisfação de parte da torcida por títulos como Libertadores e Mundial foram preponderantes para que o trabalho tivesse um ponto final.
“No primeiro semestre, quando os resultados vêm, sim. Depois, não. Mas eu tenho um estilo próprio, talvez não tão identificado e isso acontece, é natural, é do jogo. Mas quando o resultado não veio, essa situação acabou acontecendo, ela é inevitável”.
“No início, sim. Eu lembro que, quando fomos campeões, um dirigente disse: “é ano eleitoral, obrigado porquê de alguma forma tu trouxe paz para nós”, que é bastante difícil. O Pedro também falou logo que assumi, num momento extremamente difícil, e ele disse: “você um pouco de paz para trabalhar”.
“Falando mais especificamente (da arquibancada): o título nos trouxe. Bom, agora vamos buscar o outro. Mas nós ficamos na semifinal da Copa do Brasil. ‘Ah, mas se ficasse ia ganhar?’. Não sei”.
“Mas a gente tinha tirado o Palmeiras, hoje essas são as duas equipes com maior poderio em termos organizacionais, não só dentro quanto fora de campo, em qualidade técnica e em investimentos. E o Bahia vinha num grande momento, talvez o melhor Bahia que eu vi jogar. É meu sentimento… O Flamengo transpira Libertadores e Mundial”, finalizou.
Próximos jogos do Flamengo:
Vitória (F) – 14/05, 21h30 (de Brasília) – Copa do Brasil
Athletico-PR (F) – 17/05, 19h30 (de Brasília) – Brasileirão
Estudiantes (C) – 20/05, 21h30 (de Brasília) – CONMEBOL Libertadores
Fonte:ESPN Foto:Divulgação

