O Conselho Deliberativo do Corinthians realiza nesta segunda-feira (27) a votação das contas referentes ao exercício de 2025. A reunião ocorre no Parque São Jorge, com primeira chamada marcada para as 18h (de Brasília) e segunda chamada às 19h (de Brasília).
A análise envolve o balanço financeiro apresentado pela diretoria corintiana na última semana e já examinado pelos órgãos de fiscalização. A decisão do Conselho Deliberativo não gera efeitos automáticos sobre o mandato da atual administração, mas é um mecanismo político na avaliação da gestão financeira do clube.
A votação encerra o rito de apreciação das contas do exercício anterior, previsto no Estatuto Social.
O QUE ESTARÁ EM PAUTA NA REUNIÃO?
O Conselho Deliberativo vai votar a aprovação ou reprovação do balanço financeiro de 2025. O documento reúne os dados contábeis do clube, incluindo receitas, despesas, endividamento e resultado econômico do exercício.
De acordo com o balanço, ao qual a reportagem teve acesso, o Corinthians registrou déficit de R$ 143,4 milhões em 2025. O patrimônio líquido permaneceu negativo ao final do exercício, em R$ 774 milhões, refletindo o acúmulo de resultados deficitários de anos anteriores.
A dívida total do clube encerrou o ano em aproximadamente R$ 2,72 bilhões, número que inclui obrigações fiscais, cíveis, trabalhistas e financeiras.
O balanço registra redução pontual no passivo bruto em relação a meses anteriores, em razão de renegociações em andamento.
O documento também apresenta um ajuste de exercícios anteriores no valor de R$ 205,5 milhões, lançado diretamente no patrimônio líquido, decorrente de reavaliações contábeis de passivos e contingências.
O balanço foi auditado por empresa independente, que emitiu relatório com ressalvas. A reportagem teve acesso ao documento que destaca o registra dos efeitos da transação tributária firmada com a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) ainda no exercício de 2025.
Segundo a auditoria, embora o acordo tenha impacto relevante na redução da dívida tributária, ele foi assinado apenas em 2026. Por isso, o relatório apontou que o reconhecimento contábil no exercício anterior depende da efetivação formal do contrato.
A empresa responsável por auditar o balanço também chamou atenção para a dependência de renegociações fiscais e financeiras para a continuidade operacional do clube. Ela também menciona a necessidade de reforço nos controles internos e na divulgação periódica de informações financeiras.
Apesar das ressalvas, a conclusão que o balanço apresenta adequadamente, dentro das normas contábeis, a posição patrimonial e financeira do Corinthians em 31 de dezembro de 2025.
ANÁLISE DO CONSELHO FISCAL E CORI
O Conselho Fiscal avaliou o balanço de 2025 e recomendou a aprovação das contas também apresentando ressalvas. O parecer, que a reportagem teve acesso, aponta que os números refletem uma situação financeira já existente em exercícios anteriores, com impacto no resultado do período analisado.
Entre os apontamentos, o CF reforça a necessidade de melhorias nos controles internos e na divulgação periódica de informações financeiras. O relatório também apontou falhas na apresentação regular de balancetes ao longo do exercício. Apesar das observações, o órgão concluiu que o balanço apresentado corresponde aos registros contábeis do período.
O Conselho de Orientação (Cori) também se manifestou sobre as contas de 2025. O órgão apresentou questionamentos sobre a gestão financeira adotada e sobre decisões administrativas tomadas ao longo do exercício.
Ainda não tenha poder deliberativo, os seus pareceres do Cori são levados ao plenário do Conselho Deliberativo. Desta forma, cabe aos conselheiros considerarem ou não as observações feitas pelo órgão no momento da votação.
O relatório do Cori integra a documentação distribuída aos conselheiros para análise antes da reunião desta segunda-feira.
COMO FUNCIONA A VOTAÇÃO NO CONSELHO DELIBERATIVO?
A votação ocorre de forma presencial, respeitando os quóruns previstos no Estatuto do Corinthians. Em primeira chamada, é exigido número mínimo de conselheiros presentes. Em segunda chamada, a reunião pode ocorrer com quórum reduzido.
Os conselheiros votam pela aprovação, aprovação com ressalvas ou reprovação das contas. O resultado é registrado em ata e passa a constar como decisão oficial do Conselho Deliberativo sobre o exercício de 2025.
O balanço, independentemente do resultado, não deixa de existir como documento contábil e segue arquivado nos registros do clube.
O Estatuto do Corinthians não prevê punição automática em caso de reprovação das contas. A diretoria permanece no exercício de suas funções e não há afastamento imediato de dirigentes.
A reprovação passa a integrar o histórico administrativo do clube e pode servir de referência para iniciativas internas posteriores. Conselheiros podem, a partir dela, apresentar representações ou pedidos de apuração em outros órgãos estatutários, conforme os ritos previstos. Eventuais medidas adicionais dependem de novos atos formais e de deliberações em instâncias específicas do clube.
Além do Estatuto, a votação ocorre em um contexto em que a Lei Geral do Esporte estabelece normas sobre responsabilidade de dirigentes. A legislação federal trata de atos de gestão considerados irregulares ou temerários, incluindo falhas de transparência e prestação de contas.
A reprovação das contas, por si só, não acarreta sanções previstas na lei. No entanto, a decisão pode ser utilizada como elemento em avaliações externas, como representações ou investigações, caso sejam apontados indícios de irregularidades. A aplicação de qualquer medida com base na legislação federal depende de procedimentos próprios fora do âmbito do clube.
A reunião desta segunda-feira conclui o processo estatutário de apreciação das contas de 2025. O resultado da votação passa a ser a posição oficial do Conselho Deliberativo sobre o exercício financeiro analisado.
Fonte:Bahia Notícias Foto:Divulgação

