Por Cristiano Alves
A Sociedade Anônima de Futebol (SAF), regime administrativo adotado por pouco mais de 100 clubes brasileiros atualmente, ainda está longe de ser uma unanimidade no futebol nacional. O novo sistema proposto para administrar os clubes ainda gera muitas controvérsias, pois na prática, os projetos em sua maioria são apenas “embriões” que tentam, mas até agora não conseguiram desenvolver. A maior prova disso é que os dois principais clubes do Brasil na atualidade – Flamengo e Palmeiras – não são SAFs e conseguem dentro do contexto manterem o nível de competitividade com inúmeros sucessos em termos de títulos, aliados a gestões que dentro de uma média têm mais acertos do que erros.
Ora, os senões existem, pois afinal ninguém é perfeito: enquanto o Palmeiras segue com o mesmo treinador – o português Abel Ferreira – há seis anos à frente da equipe, o Flamengo segue a rotina de troca de técnicos, que não conseguem desenvolver trabalhos longevos. Quando se imaginava que Felipe Luís, depois de quatro títulos conquistados em 2025 (incluindo o Campeonato Brasileiro e a Libertadores da América) fosse um técnico com mais durabilidade, foi demitido às vésperas da conquista do tricampeonato carioca. Já Abel Ferreira conquistou 11 títulos pelo Palmeiras desde sua chegada no final de 2020 até março de 2026, tornando-se o treinador mais vitorioso da história do clube. O técnico português conquistou duas Libertadores, dois Brasileiros, uma Copa do Brasil, uma Supercopa, uma Recopa e quatro Campeonatos Paulistas. Lado técnico à parte, estes times têm cacife para contratar jogadores de qualquer país sul-americano ou podem ir ao mercado europeu em busca de peças para manterem a qualidade e a competitividade das suas equipes.
E as SAFs? No geral, o que se vê são as equipes ainda buscando o equilíbrio entre o técnico e o administrativo: dentro de campo, nada de contratações de vulto e em sua maioria seguem “peneirando” em busca de valores que podem despontar futuramente dentro das quatro linhas, ou seja, apostam em promessas. E os grandes nomes? E a competição com equipes do mesmo nível ou de maior envergadura? Ao que tudo indica, muitas destas agremiações são apenas “pontes” para outros negócios dos seus donos.
A cada dia, em muitos casos, estamos vendo uma sucessão de atitudes que em nada nos remetem a pensar numa real mudança de gestão: a troca de treinadores para justificar insucessos é um bom exemplo. Outro exemplo? Os vários problemas administrativos e financeiros que implicam na falta de investimentos. Em outras situações se investe na estrutura, mas falta tino para se montar as equipes, a ponto dos dirigentes serem questionados sobre o critério para se contratar o staf técnico (inclua-se executivos, jogadores treinadores) e demais integrantes dos setores que compõem o departamento técnico de um time de futebol.
Até que se prove o contrário, os gestores de SAFs em sua maioria não passam de oportunistas, que aproveitam a visibilidade proporcionada pelo esporte para a autopromoção. O know-how exigido é ter muito dinheiro, ou seja, em termos práticos as agremiações tiveram apenas a mudança de nome porque a forma de administração continua a mesma: os clubes à mercê de um ou dois benfeitores.
O futebol é um negócio altamente lucrativo, mas com essencialidades que precisam ser respeitadas. O dinheiro não é tudo: não é conhecimento, muito menos know-how e expertise. Ou se mudam as concepções e convicções, ou os clubes mesmo sendo SAFs, em sua maioria seguirá com gestões frágeis e cada vez mais dependentes dos seus donos ou benfeitores.


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